Motocicletas, sem dúvida nenhuma, são veículos que sempre provocaram, e provocam, polêmica. Quem gosta, é apaixonado. Quem não gosta, é radical. Na verdade, andar de moto é um estilo de vida. É muito mais do que simplesmente um comportamento extravagante de pessoas que gostam de viver com liberdade e emoção, dois ingredientes inseparáveis em sua receita de felicidade. O que não significa que os apaixonados por motocicletas sejam todos aventureiros malucos e irresponsáveis.

O estilo de vida “motociclístico”, que já foi mostrado em vários filmes, desde os antológicos “O Selvagem” e “Sem Destino” até o novo clássico “Diários de Motocicleta”, ganha novos adeptos a cada dia que passa. Pode até parecer inconsequente e leviana, porém é uma atividade que só pode ser exercida com plena consciência dos riscos que a envolvem. E isso exige habilidade e total concentração do piloto.

Numa motocicleta você trafega exposto, sem nenhuma proteção a não ser os equipamentos de segurança que estiver usando. Não há uma cabine fechada, para lamas, para choques ou qualquer outra estrutura externa que sirva de anteparo na hora de uma queda ou de uma batida. O limite da segurança é o corpo do motociclista. Esse é o principal argumento dos radicais.

Mas, para os apaixonados pelas duas rodas o que vale mesmo é a sensação de liberdade que o vento na cara proporciona, a adrenalina de dominar uma máquina ágil nas manobras do trânsito e a interação, nem sempre tão agradável (por exemplo, quando chove…), com os elementos da natureza.

Motociclismo não significa apenas lazer e diversão, curtição. Motociclismo também é profissão. De pilotos, que vivem voando sobre máquinas super preparadas, até mensageiros, os mal afamados e pouco valorizados motoboys. Que agilizam negócios e viabilizam projetos com suas loucas correrias pelas ruas da cidade. Infelizmente muitas pessoas só enxergam as suas correrias.

Motociclismo é um universo gigantesco e envolve um leque de atividades paralelas tão amplo – o motociclismo turístico, por exemplo, é apenas um deles -, que se torna instigante. E apaixonante.

Pelos números divulgados pelas fábricas, nosso mercado motociclístico teve uma evolução fantástica. As motos começaram a ser fabricadas no Brasil em 1975, ano em que foram produzidas 5.220 unidades. Em 2011, foram produzidas 2.136.891 de unidades. E a perspectiva para 2020 é que tenhamos mais motos do que carros no trânsito!

Eu, Jotta Santana, jornalista de profissão e aventureiro por opção, pertenço, claro, ao time dos apaixonados. Vivo desde que me conheço por gente equilibrado sobre duas rodas. Trabalhei em várias revistas especializadas – Motosport, Duas Rodas, Revista da Moto!, – testei motos (mais de 200 lançamentos) para o caderno Veículos da Folha de São Paulo durante quatro anos e rodei milhares de quilômetros por todo o Brasil, de norte a sul, de leste a oeste. Atualmente sou o jornalista responsável pelos três títulos da Adrenal Editora – Dirt Action, Bike Action e Motoaction. Também tenho um blog sobre o assunto – chamado exatamente MOTOCANDO – www.jotasantana.wordpress.com.

Quando me perguntam o porquê dessa paixão, respondo com ironia, que “deve ser porque eu sou um cara muito equilibrado” (rsrsrsrsrs). Tombos? Cicatrizes? Remendos? Com certeza! Mas, ainda assim e apesar de tudo, uma agradável sensação de “valeu a pena”.

Jotta Santana