02/03/2021

Consórcio de motocicletas x emplacamentos, como foi o mercado no último bimestre

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O Sistema de Consórcios, no início de 2021, mostrou comportamento estável em relação a dezembro do ano passado. Ao obter crescimento nos negócios, apesar da retração no total de vendas de novas cotas, a modalidade manteve o ritmo de interesse dos consumidores. Mesmo com a pandemia tendo provocado insegurança em março último, o mecanismo registrou recuperação de forma rápida e duradoura.

Nos seis setores onde o mecanismo está presente, entre os indicadores de adesões, dois apontaram crescimentos: imóveis, com 13,0% e motocicletas, com 4,9%. Enquanto quatro se retraíram: veículos leves, com -12,1%; veículos pesados, com -16,3%; serviços, com -58,6%; e eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, com -68,3%.

SETOR DAS DUAS RODAS EM ALTA GERAL, MESMO COM A COVID-19

Depois dos bons resultados em 2020, o consórcio de motocicletas começou janeiro assinalando aumentos nas vendas de novas cotas, créditos comercializados, participantes ativos, tíquete médio e créditos concedidos. Somente as contemplações estiveram estáveis.

O comportamento positivo do setor das duas rodas, registrou 1,9% de alta de janeiro sobre dezembro, evidenciando o produto como um dos mais procurados dentro do Sistema de Consórcios, apesar da continuidade da pandemia.

As mais de 40 mil contemplações, acumuladas em janeiro, foram potenciais compradoras de 46,9% das vendas do mercado interno, que somou 85,80 mil, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O percentual corresponde a uma moto a cada duas comercializadas no país.

Motocicletas emplacamentos

Presidente da FENABRAVE, Alarico Assumpção Júnior; alguns fatores impactaram, negativamente, na oferta e no mercado de veículos, como a falta de componentes para normalizar a produção e o aumento dos casos da COVID-19. “Na indústria, mesmo com os esforços das montadoras, para aumentar a produção, a falta de disponibilidade de peças e componentes ainda persiste, fazendo com que algumas fábricas tivessem de paralisar, temporariamente, a produção em fevereiro, afetando, de forma importante, a oferta de produtos”, comenta Assumpção Júnior, acrescentando: ”Além disso, o aumento dos casos de COVID-19, que provocou o retrocesso da abertura do comércio em várias cidades, também contribuiu para a queda de vendas do mês de fevereiro”.

Não bastassem os problemas nacionais, o Presidente da FENABRAVE destacou o aumento do ICMS em São Paulo como um dos principais vilões do mercado. “Os preços dos veículos, tanto novos quanto usados, ficaram mais caros em São Paulo, em função do aumento de alíquota do ICMS– Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que passou de 12% para 13,3% para veículos novos e de 1,8% para 5,53% para usados, tornando os negócios das concessionárias e lojistas quase que impraticáveis.

Em fevereiro de 2021, o mercado de motocicletas licenciou 57.428 unidades, o que significa uma baixa de 28,07% sobre fevereiro de 2020, quando foram emplacadas 79.837 unidades. Houve, também, queda de 33,10% sobre janeiro desse ano (85.839 motos).

Os emplacamentos, no acumulado de 2021, somam 143.267 unidades que, comparadas às 171.528 unidades, de igual período de 2020, resultam em uma queda de 16,48%.

“O mês de fevereiro foi, fortemente, impactado pela segunda onda da pandemia da COVID-19, que fechou as fábricas, afetando a produção em Manaus (AM), também prejudicadas pela escassez de peças e componentes nos últimos meses, causando um desajuste de oferta. O estoque de motos, nas concessionárias, está extremamente baixo e, para alguns modelos, a espera chega a até 40 dias. A demanda segue aquecida, fomentada pela consolidação da motocicleta como meio de transporte individual pessoal e de trabalho (delivery/serviços), dado o incremento das vendas do e-commerce, além da boa oferta de crédito pelas instituições financeiras, que estão aprovando 45% das propostas apresentadas”, avaliou Assumpção Júnior.

No ranking histórico das vendas de motos, o mês de fevereiro/2021 está na 19ª colocação e, no acumulado do ano, na 14ª posição.

PARTICIPANTES ATIVOS CONSOLIDADOS (CONSORCIADOS)
2,26 MILHÕES (JANEIRO/2021)
2,13 MILHÕES (JANEIRO/2020)
CRESCIMENTO: 6,1%

VENDAS DE NOVAS COTAS (NOVOS CONSORCIADOS)
93,95 MIL (JANEIRO/2021)
89,59 MIL (JANEIRO/2020)
CRESCIMENTO: 4,9%

VOLUME DE CRÉDITOS COMERCIALIZADOS
(ACUMULADO NO PERÍODO)
R$ 1,35 BILHÃO (JANEIRO/2021)
R$ 1,24 BILHÃO (JANEIRO/2020)
CRESCIMENTO: 8,9%

TÍQUETE MÉDIO DO MÊS (VALOR MÉDIO DA COTA)
R$ 14,34 MIL (JANEIRO/2021)
R$ 13,89 MIL (JANEIRO/2020)
CRESCIMENTO: 3,2%

CONTEMPLAÇÕES*
(CONSORCIADOS QUE TIVERAM A OPORTUNIDADE DE COMPRAR BENS)
40,22 MIL (JANEIRO/2021)
40,62 MIL (JANEIRO/2020)
ESTÁVEL

  • EM RAZÃO DE PARCERIA ENTRE ABAC E B3, ESTE INDICADOR PODERÁ SER DESDOBRADO POR REGIÕES E POR ALGUNS ESTADOS, BASEADO NAS UTILIZAÇÕES DOS CRÉDITOS NO PERÍODO MENCIONADO.